quarta-feira, 12 de novembro de 2008

1969 - O BEIJO DO TEMPO

*musicada por Tavito



Havia uma flor
Perdida dentro de um jardim azul
Havia cor
E o som que a gente ouvia era blue
Havia em mim
Uma esperança livre, escancarada
Havia, sim
Uma sempre nascente madrugada

Havia mais
Um passarim perdido na clareira
Havia uns tais
Que escorriam pela ribanceira
Havia ali
Atrás do porto uma cidade griz
Havia em ti
A decisão total de ser feliz

Havia algo no ar
Beijo do tempo
Cor do vento
Havia o mar
Havia tudo por lá
E nem preciso
De juízo
Pra lembrar

Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Rama
Hare Hare

Havia, eu sei
Uma fumaça a nos fazer sonhar
Havia a lei:
A gente era livre pra se amar
Havia luz
Pois era tempo de iluminar
Havia cruz
Onde nos colocavam pra falar

Havia, além
Desejo de beijar e de beber
Havia um bem
Que teus olhos faziam florescer
Havia eu
Que sempre procurava sem achar
E havia um Deus
Que sempre me fazia acreditar

Havia algo no ar
Beijo do tempo
Cor do vento
Havia o mar
Havia tudo por lá
E nem preciso
De juízo
Pra lembrar

Hare Krishna
Krishna Krishna
Hare Rama
Hare Hare

* música do CD "TUDO", de Tavito

DOIS CAMINHOS

* musicada por Gilson Espíndola

Eu vejo sempre que paro
Dois rumos nada seguros
Um me leva ao claro
Outro me encanta no escuro
Um joga terra na alma
Outro é pedra no peito
Tem um que sigo com calma
E o outro, sem mais, aceito

No meio desse caminho
Há setas que me confundem
Quando eu me encontro sozinho
Quando mistérios se fundem
Tão diferentes estradas
Que vão a lugares tantos
Talvez nem me levem a nada
Talvez cheguem em algum canto

O meu canto
Eu canto
E me encanto

Passagem para bem longe
Ou ponte para tão perto
Na trilha aflita do bonde
Camelos no meu deserto
São dois caminhos distintos
Que eu vejo sempre que estanco
Se fico, se bordo ou pinto
Se abro meu peito ou tranco

No meio desse caminho
Há setas que me confundem
Quando eu me encontro sozinho
Quando mistérios se fundem
Tão diferentes estradas
Que vão a lugares tantos
Talvez nem me levem a nada
Talvez cheguem em algum canto

O meu canto
Eu canto
E me encanto

QUANDO AVISTO UMA ESTRELA

* musicada por Zebeto Corrêa

Guardo comigo a lembrança
Do que não vai mais voltar
O tempo gera a esperança
E a noite criança
Logo crescerá

Brinco sob a tempestade
Que chove em meu coração
Os sonhos viram saudade
É a eternidade
Dos que passarão

Levo nos versos a alma
Trago nos olhos a dor
Canto baixinho, com calma
Esse silêncio de amor

E se a tristeza me assalta
A alegria me refaz
E vem tudo o que me faz falta
Cheiro de flor e de paz

Salto da cama apressado
É mais um dia que vem
Ando meio atarantado
Não sou o culpado
Nem eu nem ninguém

E quando avisto uma estrela
Lembro um pedido que eu fiz
A esperança de tê-la
O afã de revê-la
E ser mais feliz

NEM SEI

* musicada por Ugo Castro Alves

Já dormi, mas acordei
Sonhei, nem lembro
Se sonhei, já que perdi
Noção do tempo
Se vivi ou se morri
De amores
Se dói eu nem sei
Das dores

Já perdi e me achei
Logo em seguida
Se perdi o senso
E ainda há vida
À procura de um lugar
Em que me sinta vivo
À deriva no mar
Cativo

Já cansei, mas descansei
À noite mesmo
Já andei e desandei
A esmo
À procura de um olhar
Não recordo se o achei
Se o caminho eu perdi
Nem sei

Acordei, me recordei
Só sei que é tarde
No meu peito dorme um sol
Que arde
E me lembra do verão
Faz o inverno incandescente
E não deixa o coração
Morrer