quinta-feira, 24 de maio de 2012
MÃE
* musicada por Sonekka
Água
Rio
À noite faz frio
E a canção faz lembrar
Terra
Mata
A serenata
Que a vida me quer cantar
Homem
Grande
Mas tão menino
Um peregrino a te buscar
Fogo
Chama
E quem nos ama
Aclama um pacto com o luar
Hoje eu pensei tanto em ti
Que a natureza chorou de pena
Hoje eu procurei por ti
E a vida estava tão pequena
Pequena...
Beijo
Abraço
É tudo espaço
Como faço para te falar
Eu paro
Eu ando
Durmo acordando
Esperando alguém me embalar
Amor
Destino
Meus desatinos
Teu menino cresceu
Vida
Fumaça
O tempo passa
Ninguém te abraça, só eu
Hoje eu pensei tanto em ti
Que a natureza chorou de pena
Hoje eu procurei por ti
E a vida estava tão pequena
Pequena...
O SONHO
* musicada por Apá Silvino
Hoje de manhã
O sol entrou pela janela
E acordou
No meu olhar os olhos dela
Uma canção
O sol pareceu transmitir
Sonho tão real
A música ficou pra mim
Esteja bem, meu amor
E seja alegre quando triste
Não pense, meu amor
Em nada que à paixão resiste
Sorria, meu amor
Até se acabar de rir
E pense, meu amor
O que importa é existir
Faça como a chuva
Que cai pra espalhar a vida
Deite-se no campo
Sinta a madrugada viva
Olhe para o alto
E agradeça o que é tão bom
Cante todo tempo
Sem se importar com o tom
Eu estou por perto
Não sou mais o que fui
Já não há deserto
Tempestade, só de luz
Faça o que quiser
E dê mais do que seja lei
Seja feliz, meu amor
Amando assim como eu lhe amei
quarta-feira, 23 de maio de 2012
A PAIXÃO DE DONA CÉLIA PELO MANO CAETANO
Crônica das quartas-feiras - 01
O ano era 1966 e ainda havia no ar um gosto de
ressaca. O Brasil acabara de cumprir a sua pior campanha em uma Copa do Mundo;
fomos desclassificados na primeira etapa (eram as oitavas de final),
na Inglaterra, mais propriamente em Liverpool, a terra dos Beatles, já na época
os reis do mundo. E dançamos perdendo para
Portugal, com um tal de Euzébio acabando com a nossa alegria. Para não perder a
piada, a gente dizia que "o time português jogou com 13 em campo: além dos outros 10,
tinha 'eu', 'zé' e 'biu'".
Mas, como o futebol já era, o bom mesmo era ver televisão. Bons
tempos aqueles, sem rede nacional a pasteurizar o gosto de todo mundo . O Recife tinha o Canal 2 (TV Jornal do
Commercio) e o Canal 6 (TV Rádio Clube/Tupi, dos Associados) e para cá vinham
os grandes espetáculos da música brasileira. Todo sábado à noite, no Canal 2 tinha o “Noite de Black Tie”. E todo santo domingo havia o “Você Faz o Show”. Os artistas locais brilhavam em pé de igualdade com os grandes nomes
que vinham para cá. Era uma festa...
A TV também trazia, através do “milagre do vídeo-tape”,
muitos shows e programas bacanas do Sul do País. Sobretudo os musicais da TV
Record e da TV Excelsior. Era o comecinho daquilo que ficaria conhecido como
Música Popular Brasileira, a velha e quase sempre boa MPB. Era a época dos
festivais da Excelsior, cujo primeiro revelou Elis Regina ganhando com
“Arrastão” (Edu Lobo/Vinicius de Moraes). Ainda naquele ano, a Record realizaria um
festival de arromba, quando o já famoso Geraldo Vandré e um menino orelhudo e de olhos
tristes chamado Chico Buarque de Holanda dividiriam o primeiro lugar com as suas “Disparada”
(parceria com Theo de Barros) e “A Banda”.
Um desses bons programas da TV Record passava às
terças-feiras com o título improvável de “Esta Noite Se Improvisa”, um teste de
conhecimentos musicais que ficaria conhecido em todo o País pelo bordão criado
pelo seu apresentador Blota Júnior: “A palavra é...”. A brincadeira de acertar
(e cantar) a música a partir da palavra sugerida virou febre nacional,
espalhando-se pelos bares e lares tupiniquins. E revelou um lado muito legal de
“astros e estrelas” da imberbe MPB, como o próprio Chico Buarque, Wilson
Simonal, Carlos Imperial, Ronnie Von, Elza Soares, Nara Leão, Gilberto Gil,
Claudette Soares, Caetano
Veloso.
E Caetano era uma festa à parte para os telespectadores. Dono
de uma memória e de um conhecimento musical invejáveis, ele acabava ganhando quase
todas. Com isso arrebanhava fãs que ainda nem o conheciam pela sua música - havia tirado um
tímido 5º lugar no festival da Excelsior com a esquecida “Boa Palavra”,
defendida por Maria Odette, e só explodiria mesmo um ano mais tarde, no
histórico Festival da Record, com “Alegria, Alegria”, marco do Tropicalismo e
da própria MPB. Entre esses fãs estava Dona Célia, que imediatamente “adotou” o
jovem cantor e compositor baiano, torcendo por ele desbragadamente todas as
noites de terça-feira.
- A palavra é...
MALEITA! - sentenciou Blota Junior, num desses programas, sob os olhares
incrédulos de quase todos os concorrentes.
Todos, menos Caetano que, sem pestanejar, tocou a campainha
que assegurava a vez de responder. Foi para o microfone e cantou, inteirinha e
de um fôlego só “Sussuarana” (Heckel Tavares e Luiz Peixoto), uma antiga
canção dos anos 1930. Sem errar a letra de uma música que ninguém ali conhecia, ele chegou até o trecho que lhe garantiu a vitória: “Foi coisa feita / Foi mandinga,
foi maleita / Que nunca mais indireita / Que nos botaro, é capaz...”.
O público no Teatro Record veio abaixo. Lá em casa, em frente da televisão, minha mãe (Ah! Dona Célia é a minha mãe!) não se conteve. Emocionada, começou a enumerar, com pleno e total entusiasmo, as qualidades artísticas e intelectuais do já (àquela altura) seu grande ídolo.
O público no Teatro Record veio abaixo. Lá em casa, em frente da televisão, minha mãe (Ah! Dona Célia é a minha mãe!) não se conteve. Emocionada, começou a enumerar, com pleno e total entusiasmo, as qualidades artísticas e intelectuais do já (àquela altura) seu grande ídolo.
- Mas, esse menino é muito novo! Ele não podia conhecer essa
música, que a minha mãe cantava quando eu era pequena, lá em São Caetano! É um gênio! Que memória musical!
Ao que eu me lembre, a parti dali, Caetano Veloso passou a
exercer um fascínio extraordinário sobre Dona Célia, que não perdia uma
apresentação dele na TV; que torceu feito louca por “Alegria, Alegria”,
revoltando-se com o “injusto” 4º lugar; que sofreu quando o baiano foi embora, exilado, para Londres; que adorava quando Roberto Carlos cantava “Debaixo dos
Caracóis dos Seus Cabelos”, que o Rei compôs quando Caetano estava no exílio. Qualquer
coisa vinda de Caetano Veloso para ela era o máximo. Dona de um gosto musical
apurado, fã de Elizete Cardoso e Silvio Caldas, ela “curtia” muita gente boa e
de talento. Mas, Caetano Veloso... Ah! Esse estava acima do bem e do mal.
Caetano Veloso para a minha mãe era como se fosse o seu
irmão mais novo. A paixão era tanta que
ela costumava repetir que tinha uma certeza na vida: a de que Caetano e ela já se
conheciam de algum tempo e de algum lugar, adoravam um ao outro, mesmo sem nunca terem se visto. Mesmo sem
nunca ter ido a um show do ídolo, ela sabia que a demora para que os dois se
entendessem com o olhar era apenas o tempo de se verem. E a cena já
estava pronta, na cabeça dela, há muito tempo. Feito um filme.
- Ah, e eu não sei?! Quando a gente se encontrar, ele vai parar na
minha frente, abrir os braços, sorrir de orelha a orelha e me dizer: “Célia
Maria! Há quanto tempo!”
Exagero? Que nada! Vai ver era isso mesmo que iria acontecer. Ou não.
Veja e Ouça "Sussuarana" (Heckel Tavares - Luiz Peixoto), com Maria Bethania e Nana Caymmi
Veja e Ouça "Sussuarana" (Heckel Tavares - Luiz Peixoto), com Maria Bethania e Nana Caymmi
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
NOS TEUS OLHOS
ZIZA PADILHA - NOS TEUS OLHOS (Ziza Padilha - Gilvandro Filho) by gilvandrofilho
* sobre música de Ziza Padilha
Foi nos teus olhos
Que eu aprendi
A ver a luz
E a traduzir estrelas
Eu nem sabia
Que o teu olhar
Me levaria
À dádiva de vê-las
Oh, minha amada
Foi teu olhar
Meu ponto de partir
Meu porto de voltar a ser
E a vida inteira
Te procurar
Pra te encontrar no verso
E ver o universo no teu olhar
Foi nos teus olhos
Que eu aprendi
A ver a lua
E a traduzir estrelas
Eu nem sabia
Que o teu olhar
Me levaria
À dádiva de vê-las
Oh, minha amada
Foi teu olhar
Meu ponto de partir
Meu porto de voltar a ser
E a vida inteira
Te procurar
Pra te encontrar no verso
E ver o universo no teu olhar
Oh, minha amada...
* sobre música de Ziza Padilha
Foi nos teus olhos
Que eu aprendi
A ver a luz
E a traduzir estrelas
Eu nem sabia
Que o teu olhar
Me levaria
À dádiva de vê-las
Oh, minha amada
Foi teu olhar
Meu ponto de partir
Meu porto de voltar a ser
E a vida inteira
Te procurar
Pra te encontrar no verso
E ver o universo no teu olhar
Foi nos teus olhos
Que eu aprendi
A ver a lua
E a traduzir estrelas
Eu nem sabia
Que o teu olhar
Me levaria
À dádiva de vê-las
Oh, minha amada
Foi teu olhar
Meu ponto de partir
Meu porto de voltar a ser
E a vida inteira
Te procurar
Pra te encontrar no verso
E ver o universo no teu olhar
Oh, minha amada...
ATÉ BREVE
* musicada por Apá Silvino
Chegou a hora de dizer
O que eu ainda não pude falar
O que é preciso pra viver
Aqui ou em qualquer lugar
Existe, sim, e é tão real
O grande amor na despedida
E o amor que sinto por você
Comigo viverá
Por toda a minha vida
O barco deixa o velho cais
Se perde aos poucos no horizonte
E de repente a nós, não mais
É dado beber dessa fonte
Mas, do outro lado, muito além
Alguém de longe o barco avista
E é a hora de recomeçar
Surge um novo mar
Renova a nossa vida
Penso em você a cada instante
Mas penso de forma tão leve
Nessa hora em que dizemos
Até breve
Penso em você a cada instante
Mas penso de forma tão leve
Nessa hora em que dizemos
Até breve, até breve
Deixo você seguir, enfim
Eu sei que o medo é natural
Penso em você pensando em mim
O amor também é desapego
E o que foi feito ficará
O que nasceu não morre assim
Um dia eu vou te encontrar
Não sei em qual lugar
Só sei que não existe o fim
A dor existe e é real
Mas, logo essa dor termina
É quando o amor ainda maior
Acena lá na outra esquina
O rumo é certo e natural
Começa uma nova história
E vida segue o seu sem fim
Pra você e para mim
Feito a canção que eu canto agora
Penso em você a cada instante
Mas penso de forma tão leve
Nessa hora em que dizemos
Até breve
Penso em você a cada instante
Mas penso de forma tão leve
Nessa hora em que dizemos
Até breve, Até breve
Até...
DEVE SER POR ISSO QUE EU TE AMO
* musicada por Apá Silvino
Um veio de água limpa que desaba
Faz reviver a terra e a sede acaba
Um sol que nasce a cada alvorada
Que faz parir de luz a madrugada
E uma voz que canta quando eu chamo
É o vento que renova toda a vida
Que sopra a esperança esquecida
Deve ser por isso que eu te amo
O mar que leva vida aos quatro ventos
Define o azul e traça o firmamento
São sete os oceanos desse mundo
Deserto fértil, azul e tão profundo
E o que não é só meu, mas que eu reclamo
E tomo para guardar enquanto eu queira
A vida existe de qualquer maneira
Deve ser por isso que eu te amo
Se o Deus, senhor de todos os destinos
Rege os meus sonhos e os meus desatinos
Se fez o céu só pra nascerem estrelas
E pra depois nos dar o dom de vê-las
Se os versos que sem mais nem menos tramo
Traduzem o que me ouço e o que te vejo
Se o sonho é a nascente do desejo
Deve ser por isso que eu te amo
Deve ser por isso que eu te chamo
Toda hora e todos os momentos
Se existem o mar, o céu e o vento
Deve ser por isso que eu te amo
COMPANHEIRINHA
EDUARDO FRANCO - COMPANHEIRINHA (Apá Silvino - Gilvandro Filho) by gilvandrofilho
* musicada por Apá Silvino
O sol ardeu, se despediu da tarde
E a lua azul pediu pra se chegar
A noite fez mudar toda paisagem
E o vento a música soprou no ar
E a menina de olhos cor da noite
Abriu sorriso, refletiu o luar
Companheirinha, guarda bem meus segredos
Brinquedo que esqueci em algum lugar
Canção que a lua brilha logo cedo
Verso que existe para se cantar
Nas mãos, a chave que abriu a porta
Nos pés, a trilha para caminhar
A luz da lua desenhou seu nome
A última estrela veio aqui brilhar
E o mundo acordará ao som da brisa
Quando Luiza amanhecer luar
* musicada por Apá Silvino
O sol ardeu, se despediu da tarde
E a lua azul pediu pra se chegar
A noite fez mudar toda paisagem
E o vento a música soprou no ar
E a menina de olhos cor da noite
Abriu sorriso, refletiu o luar
Companheirinha, guarda bem meus segredos
Brinquedo que esqueci em algum lugar
Canção que a lua brilha logo cedo
Verso que existe para se cantar
Nas mãos, a chave que abriu a porta
Nos pés, a trilha para caminhar
A luz da lua desenhou seu nome
A última estrela veio aqui brilhar
E o mundo acordará ao som da brisa
Quando Luiza amanhecer luar
SONHO DE VOAR
LUA MARINA - SONHO DE VOAR (Ugo Castro Alves - Gilvandro Filho) by gilvandrofilho
* musicada por Ugo Castro Alves
Salta aos olhos o que tenho pra chorar
Bebo tudo que essa sede vai passar
Canto e danço que o som vem pelo ar
Pinto e bordo que a canção renascerá
Chove em mim tempestade que caiu
E um deserto que de seco até sumiu
Abro o riso que a tristeza fugirá
Abro o peito e deixo vir o que virá
Desafio toda a sorte de azar
A princípio todo o fim assim será
Ilumino a tocha azul desse gongá
E o cristal das águas alumiará
Pelos trilhos trem daqui partiu
E um foguete pelo céu velas abriu
Me alimento desse sonho de voar
Abro a porta que a janela se abrirá
* musicada por Ugo Castro Alves
Salta aos olhos o que tenho pra chorar
Bebo tudo que essa sede vai passar
Canto e danço que o som vem pelo ar
Pinto e bordo que a canção renascerá
Chove em mim tempestade que caiu
E um deserto que de seco até sumiu
Abro o riso que a tristeza fugirá
Abro o peito e deixo vir o que virá
Desafio toda a sorte de azar
A princípio todo o fim assim será
Ilumino a tocha azul desse gongá
E o cristal das águas alumiará
Pelos trilhos trem daqui partiu
E um foguete pelo céu velas abriu
Me alimento desse sonho de voar
Abro a porta que a janela se abrirá
DEUS NA PRAIA
* musicada por Apá Silvino
Gravou na pedra os seus sentimentos
Para mais tarde ler tudo em voz alta
Olhou pro alto, de algo sentiu falta
...E cantou um por um todos os sete ventos
Calou no peito uma vontade morna
De dissipar possíveis euforias
Assegurou-se quanto às alegrias
...Sabendo que uma dor de amor sempre retorna
Pediu passagem à lua que era cheia
Aventurou-se à paixão mais nova
Crescentemente viu-se em plena areia
...Minguando sempre que se colocava à prova
Deitou na praia e não sonhou com nada
Arrebentou na onda o próprio peito
Silenciou. E entre medo e respeito
...Deixou apenas desfilar a madrugada
Dormiu no chão e acordou com sede
A água da chuva transformou-se em vinho
Não era um deus mas criou seu caminho
...E após os sete dias descansou na rede
Pediu passagem à lua que era cheia
Aventurou-se à paixão mais nova
Crescentemente viu-se em plena areia
...Minguando sempre que se colocava à prova
BODAS DE CRISTAL
* sobre música de Ziza Padilha
Assim como o céu e o ar
São uma coisa só
E o rio sempre a correr
Complementa o mar
Assim como beija a flor
Passarinho azul
E se o vento vem cantar
É canção de amor
E se as cordas vibram
Emoldurando a voz
É como o acontecer de um sinal
Assim é a vida
Assim foi com a gente
Intensa claridade do cristal
Tão clara como um cristal
É a luz da paixão
Guarda o brilho e dá o tom
E transborda o coração
O cristal que ilumina a voz
E recria a luz
Cristalino em seus bemóis
E em seus tons azuis
Já faz tanto tempo
Ao mesmo tempo, é hoje
Se o dia nasce é só porque eu te chamo
E se noite chega
É só porque a mesma lua
Repete a cada brilho que eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo demais
PRA TENTAR VIVER
DAYSE ADDARIO - PRA TENTAR VIVER (Ziza Padilha - Gilvandro Filho) by gilvandrofilho
* sobre música de Ziza Padilha
É... pra não ter problemas
Tinha que nem viver
Pra não viver dilemas
Só se eu fosse sem ser
Pra tentar viver e errar
Na trilha desse meu dia
Eu gelei ao sol
Me queimei na tua guerra fria
E no momento certo
Jeito de dor vencida
Eu me deixei por perto
A contemplar a vida
Dores de amor, um canto qualquer
Tema de amores perdidos
Riso que chorei
Sonhei sonhos desiludidos
Agonizei no nada
Fiz de mim mesmo o tema
E em plena madrugada
Te fiz esse poema
Eu quero ser, como espero viver
Não há mal que o coração
Não releve ao final
E não cure com o seu perdão
* sobre música de Ziza Padilha
É... pra não ter problemas
Tinha que nem viver
Pra não viver dilemas
Só se eu fosse sem ser
Pra tentar viver e errar
Na trilha desse meu dia
Eu gelei ao sol
Me queimei na tua guerra fria
E no momento certo
Jeito de dor vencida
Eu me deixei por perto
A contemplar a vida
Dores de amor, um canto qualquer
Tema de amores perdidos
Riso que chorei
Sonhei sonhos desiludidos
Agonizei no nada
Fiz de mim mesmo o tema
E em plena madrugada
Te fiz esse poema
Eu quero ser, como espero viver
Não há mal que o coração
Não releve ao final
E não cure com o seu perdão
TUDO & NADA
* musicada pro Tavito
Mesmo que pareça frase feita
Mesmo se alegria a dor rejeita
Amanhã será um novo dia
Amanhã a harmonia viverá
Cantará o vento um canto mudo
Nada em especial, apenas tudo
Tudo o que puder fazer que faça
Pois a vida passa e sempre passará
Dia com sabor de madrugada
Tudo tudo ser
Até não ser nada, nada, nada
Ter na mente e no corpo o além
Viver o que a vida deu pra gente
Intensamente
Amanhã será um outro dia
Mas o hoje ainda não acabou
Nada é o tudo que já foi um dia
Tudo é o nada que não começou
FLOR D'ÁGUA
LUHLI - FLOR D'ÁGUA (Luhli - Gilvandro Filho) by gilvandrofilho
* musicada por Luhli
É noite e eu nem anoiteci
da manhã mal me refiz
Já vejo claridade na flor dágua
e do profundo lago azul nem emergi
Apenas com o gosto da estrela
a iluminar a minha sede
sem mágoa, sem dor demais
Saudade que embala minha rede
e a tristeza que vai virar luz
apesar do nunca mais
Corpo e alma
guardo o direito de chorar
por quem sofro calado
Corpo e alma
tento um sofrimento feliz
almejando a paz
Flor d'água
um amor desapegado
que liberta e deixa navegar
cada lágrima um mar
Flor d'água
rumo à luz nessa viagem
o infinito é quase nada
e o adeus é até já
Simplesmente a luz....
* musicada por Luhli
É noite e eu nem anoiteci
da manhã mal me refiz
Já vejo claridade na flor dágua
e do profundo lago azul nem emergi
Apenas com o gosto da estrela
a iluminar a minha sede
sem mágoa, sem dor demais
Saudade que embala minha rede
e a tristeza que vai virar luz
apesar do nunca mais
Corpo e alma
guardo o direito de chorar
por quem sofro calado
Corpo e alma
tento um sofrimento feliz
almejando a paz
Flor d'água
um amor desapegado
que liberta e deixa navegar
cada lágrima um mar
Flor d'água
rumo à luz nessa viagem
o infinito é quase nada
e o adeus é até já
Simplesmente a luz....
INTERESSES
* musicada por Luhli
Não me interessa a teia
A inteira e a meia
Mas me interessa a areia
O mar de amor, água salgada
Só me interessa a veia
Onde me corre o sangue, e mais nada
Não me interessa o peso da ciência
Aqui nessa água
Mais vale a impaciência
Madrugada que varre a ilusão
Mais vale a incoerência
Que acaba com o freio da razão
Não tô nem aí
Pra tantos porquês
Sem pé nem cabeça
Só quero entender
Com o coração
Não tou nem aí
Mas quero saber
Tudo que mereço
Tenho saudades
Do que não conheço...
ESTRELAS
* musicada por Apá Silvino
Por toda a vida eu esperei estrelas
Sempre tive nso meus sonhos loucos
Um temor extremo de perdê-las
E um desejo de retê-las aos poucos
Toca noite eu sonhava com o vento
Escancarando portes e janelas
E em cada sonho, um acontecimento
Comemorado em festas paralelas
Quando me deito ainda rezo muito
Pra que o sonho não não me fuja à toa
Que seja um tema bom
Pago ou gratuito
Que a noite traga uma lembrança boa
CANTAR PRA SER FELIZ
* musicada por Apá Silvino
O verso certo doma o peito
Aberto assim com todo jeito
Ajeita o canto na medida
Certa e certa de que fiz na vida um bem
Se a noite é longa surge o dia
Claro como a benção da alegria
E a agonia de sofrer se esvai
É como se comigo cantasse mais alguém
Não é pra me agradar
Não é pra me aplaudir
Pra me fazer de que
Ou até pra me ouvir
Pra entender porque
Saber o que se diz
Eu canto pra viver
E pra ser feliz
E agora o grito manso aquieta
Aquela ansia de manter alerta
A mente aberta que me pede luz
Iluminando a casa e a vida e tudo enfim
E se mais tarde o verso arde
Ardido amor em prosa e som
O bom e o mau cantando azul
Qual anjo azul que canta luz em mim
Não é pra me agradar
Não é pra me aplaudir
Pra me fazer de que
Ou até pra me ouvir
Pra entender porque
Saber o que se diz
Eu canto pra viver
E pra ser feliz
AMANHECÊNCIA
* musicada por Adryana BB
Na minha terra
O amanhecer é tão bonito
Colorido e infinito
Quando céu recebe o mar
E cada estrela
Vai dormir tão sossegada
Deixando na madrugada
Uma saudade pra guardar
Na minha terra
Passarinho chega primeiro
Galo canta no terreiro
Coqueiro balança o ar
Cada marola
Que se deita sobre a areia
Faz gerar um sereia
E uma estrela do mar
Na minha terra
Onde a luz da existência
Se traduz na amanhecência
Na vivência de cantar
E cada canto
Tem o tom da natureza
Que empresta sua beleza
E recebe a voz do mar
Na minha terra
Tem mais sol e tem mais lua
Minha terra tem o vento
Tem o rio e tem o mar
Fulô no cacho
Fruto bom na trepadeira
Tem riacho e tem palmeira
Onde encanta o sabiá
VEM PRO XENHENHÉM
* musicada por Adryana BB
Eu não agüento
Tou cansado dessa espera
Tou de tocaia
Acho que isso não se faz
Vou dar plantão
Verão, inverno e primavera
Da sua porta, meu amor, não saio mais
Chego cedinho
Na beira da madrugada
Trago um banquinho
Pra sentado eu esperar
Dá duas horas
Espero você, e nada
Penso comigo
Até quando eu vou penar
Tou de butuca
Tou na cola, tou na mira
E você fica
Nesse pra lá e pra cá
Daqui não saio
E daqui ninguém me tira
Até você me prometer
Que vai comigo namorar
Vem, meu amor, lhe quero bem
Vem, minha paixão, pro xenhenhém
TRÊS CRIANÇAS
* musicada por Apá Silvino
Você que passou por mim
Na hora em que não devia
E que eu nem sei se queria
Te ver ou te esquecer
E acenou pra mim
Que fiz que menção que não via
Mas a minha companhia
Acabou por perceber
Menino dos meus pecados
Tristeza que eu nem lembrava
Nas noites em que sonhava
No sonho eu quis lhe ver
E agora não há culpados
Nem eu, nem você, nem ele
O dia era mesmo aquele
Tinha que acontecer
Desculpa já não se pede
Nesses momentos estranhos
Guardei dois olhos castanhos
Que ficaram sem querer
E agora é vida que segue
Retomando as esperanças
Foram apenas três crianças
Sem novela e sem TV
PRA QUE?
* musicada por Apá Silvino
Da inutilidade dos meus versos
Você nem quis saber
Da incapacidade dos meus sonhos
Você nem quis viver
Os meus arquitetados devaneios
E os meus solitários desenganos
Tanto que em vão improvisei
Você nem aí ... pra que?
E agora o que fazer com tanta estrela?
E o que molhar com os pingos que chovi?
Para que guardar no peito a flor mais bela?
Quem há de ouvir o que eu não escrevi?
Amores, se motivos de poema
Ou letra de canção
Acabam com um pé no sofrimento
Amores passam; o verso, não
No fim, a tudo que eu disse um dia
Imaginando alguma poesia
Você vai dizer: pra que?
E agora o que fazer com tanta estrela?
E o que molhar com os pingos que chovi?
Para que guardar no peito a flor mais bela?
Quem há de ouvir o que eu não escrevi?
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